GAME NÃO É SÓ COISA DE CRIANÇA.

GAME NÃO É SÓ COISA DE CRIANÇA.

Edição 79 da Revista LER & CIA

Milhares de pessoas se reúnem no estádio para torcerem por seus times favoritos. Patrocinadores investem para terem suas marcas expostas durante as partidas. Campeonatos conquistam cada vez mais fãs. Atletas se tornam internacionalmente conhecidos e disputados por diferentes equipes. Poderíamos estar falando de basquete, futebol ou mesmo vôlei, mas o assunto é videogame!

De 1970 para cá, os games deixaram de ser coisa de criança e têm ganhado espaço no mundo das competições, inclusive offline. “Há registros de competições de videogame desde os anos 70, quando um grupo de estudantes de Stanford organizou um torneio de Space Invaders. Os campeonatos de jogos eletrônicos ganharam força na década de 90, quando a internet começou a se popularizar pelo mundo todo. Por causa disso, os jogos para computador ganharam bastante destaque e torneios como o CPL (Cyberathlete Professional League) começaram a surgir. Desde então, a modalidade cresceu em relevância no mundo todo, com campeonatos cada vez maiores e mais importantes acontecendo”, conta Priscila Ganiko, redatora do site Jovem Nerd.

Esses torneios acontecem parte online – geralmente na etapa classificatória –, mas também realizam grandes partidas offline, lotando estádios e movimentando o mercado da propaganda. “Os campeonatos têm uma formatação muito similar aos de esportes tradicionais, como futebol, por exemplo. A semelhança é tão grande que o termo eSports acabou se popularizando. A torcida escolhe times, vibra nas disputas, é possível comprar acessórios das equipes, ter um jogador favorito como ídolo, acompanhar sua ascensão, enfim, como qualquer esporte”, comenta Bárbara Gutierrez, editora do site Versus, especializado em eSports e fonte interessante para quem quer ler mais sobre o tema e acompanhar os campeonatos, equipes e jogadores (www.vs.com.br).

Apesar de hoje os torneios realizarem etapas offline que movimentam milhares de pessoas, além de muito dinheiro, é inegável que foi a internet que tornou essa popularidade e essa grandeza possíveis. “Campeonatos de games continuaram recorrentes ao longo dos anos 90, mas foi a popularização da internet que possibilitou mais torneios e o surgimento de competições entre times, fosse online ou em rede local (via LAN). Muitas etapas seletivas, com grande número de participantes, acontece online. As finais geralmente dão lugar a disputas presenciais, organizadas em espaços para eventos, como estádios de futebol e ginásios poliesportivos, ou até mesmo em arenas próprias para a prática do eSport e dos games em questão”, explica o jornalista Claudio Prandoni, autor do livro League of Legends – Tudo sobre os maiores pro players brasileiros e como se tornar um deles (Panda Books – R$ 29,90).

Campeonatos de games movimentam milhares de reais e lotam estádios.

QUERO SER UM JOGADOR PROFISSIONAL

Para quem quer ganhar dinheiro jogando videogame – sonho da maioria dos adolescentes – o mundo dos eSports é um caminho. Porém, é necessário ter muita dedicação e responsabilidade (além de talento). “Na minha opinião, o primeiro e mais importante passo é conhecer a comunidade dedicada àquele jogo. Não basta jogar bem, é importante saber se portar bem e contribuir de forma positiva para a comunidade de jogadores, justamente para que a modalidade ganhe respeito e receba mais incentivo de patrocinadores e dos produtores do game. A partir daí é questão de definir um objetivo e buscar conhecer melhor quem já trilhou esse caminho para saber como chegar a vagas específicas dentro de cada organização e modalidade”, aconselha Prandoni. Priscila Ganiko também lembra a importância de ser ativo em campeonatos amadores a fim de se tornar um profissional. “Muitos times ficam de olhos em novos talentos que aparecem nesses torneios menores”, salienta.