PARA ENTENDER A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

PARA ENTENDER A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

“Foi um conflito que diferiu dos anteriores por sua magnitude. Ocorrida no contexto da segunda Revolução Industrial, a Guerra rompeu um equilíbrio de quase cem anos na Europa, desde o Congresso de Viena, após as Guerras Napoleônicas, lançando o continente em um conflito sem precedentes e inesperados”, aponta o historiador militar, professor e escritor Carlos Daróz. A 1ª Guerra Mundial encerrou um período no qual apenas militares envolviam-se diretamente nos conflitos, passando a atingir a população civil e a acabar com cidades inteiras. “Se antes os combates eram restritos às tropas em campanha, com a Grande Guerra a morte e a destruição chegaram às cidades, afetando a população. Era a manifestação do conceito de ‘guerra total’, no qual a guerra deixava de ser um enfrentamento entre soldados e forças militares para ser entre as nações e suas populações.”

Cem anos após o fim da Primeira Grande Guerra (1914-1918), a quantidade e variedade de livros que recontam, analisam ou que usam o conflito como pano de fundo é cada vez maior – reforçando a importância social e política do período e suas consequências para os dias atuais.

“Foi um conflito que diferiu dos anteriores por sua magnitude. Ocorrida no contexto da segunda Revolução Industrial, a Guerra rompeu um equilíbrio de quase cem anos na Europa, desde o Congresso de Viena, após as Guerras Napoleônicas, lançando o continente em um conflito sem precedentes e inesperados”, aponta o historiador militar, professor e escritor Carlos Daróz. A 1ª Guerra Mundial encerrou um período no qual apenas militares envolviam-se diretamente nos conflitos, passando a atingir a população civil e a acabar com cidades inteiras. “Se antes os combates eram restritos às tropas em campanha, com a Grande Guerra a morte e a destruição chegaram às cidades, afetando a população. Era a manifestação do conceito de ‘guerra total’, no qual a guerra deixava de ser um enfrentamento entre soldados e forças militares para ser entre as nações e suas populações.”

A ascensão dos Estados Unidos e o surgimento da União Soviética foram resultado dos conflitos.

O uso da tecnologia militar também contribuiu para conferir uma dimensão mais destruidora à Guerra, com a utilização de novos artefatos e armas como aviões, submarinos, carros de combate, gás e metralhadoras. Cerca de 10 milhões de pessoas foram mortas e mais de 20 milhões incapacitadas. A ascensão dos Estados Unidos e o surgimento da União Soviética foram resultado dos conflitos. Em 1918, um acordo de paz frágil – que levaria anos depois à Segunda Guerra Mundial –, conhecido como Tratado de Versalhes, marcou o encerramento do conflito que resultou também em um novo mapa para a Europa e no desmoronamento de quatro impérios: Otomano, Alemão, Austro-Húngaro e Russo.

O BRASIL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O Brasil manteve, a princípio, uma posição neutra durante a Primeira Guerra Mundial. Entretanto, um fato impôs uma mudança de postura do país: o afundamento de seus navios mercantes por submarinos alemães. “Com isso, o Brasil reconheceu o estado de guerra imposto pela Alemanha em 1917”, explica o historiador Carlos Daróz, que também é autor do livro O Brasil na Primeira Guerra Mundial – A longa travessia (Editora Contexto). Daróz explica que, como possuía forças armadas limitadas e deficientes, o Brasil contribuiu para o esforço de guerra em quatro frentes: enviando uma divisão naval para patrulhar a costa ocidental da África; um grupo de aviadores para voar junto às forças aéreas de países aliados (Inglaterra, Itália e EUA); uma missão médica militar para instalar um hospital na França; e um grupo de oficiais observadores junto ao Exército Francês, que chegaram a entrar em combate. “Embora modesta para o contexto da guerra, a participação brasileira foi muito importante para o país.”

Embora modesta para o contexto da guerra, a participação brasileira foi muito importante para o país

LER PARA COMPREENDER

As obras com informações e discussões sobre guerras trazem mais conteúdo sobre diversos aspectos que envolvem os conflitos como causas, cronologia, táticas militares, consequências políticas, perspectivas sociais, tecnologia, entre outros. Além disso, ajudam a estabelecer um panorama histórico fiel à epoca. “Devido à sua importância, alguns autores defendem que a história da humanidade se confunde com a história das guerras. Na verdade, desde que o homem se organizou em sociedade os conflitos se fazem presentes, de modo que a história militar é uma ferramenta extremamente válida para se compreender a trajetória do homem através do tempo”, observa Daróz. O especialista ressalta ainda que os currículos escolares geralmente são limitados em razão da carga horária insuficiente, o que acarreta uma compreensão superficial dos fatos. “Os livros didáticos em uso no Brasil apresentam a Primeira Guerra Mundial de maneira bastante limitada e não permitem a compreensão do conflito em sua total dimensão. Esse papel pode ser desempenhado pelos livros não didáticos, que abordam os diferentes aspectos da guerra em suas dimensões específicas e possibilitam a compreensão de sua importância.”

CONHEÇA ALGUMAS OBRAS PARA APROFUNDAR SEU CONHECIMENTO SOBRE A PRIMEIRAª GUERRA MUNDIAL

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL – OS 1590 DIAS QUE TRANSFORMARAM O MUNDO

MARTIN GILBERTEditora Casa da Palavra

Segundo o jornal norte-americano The New York Times, este é um dos primeiros livros que qualquer pessoa deve ler para entender a guerra e o século. O autor e historiador britânico traz narrativa fluida para mostrar que a guerra nunca terminou – ainda vivemos muitos dos horrores que tiveram início no conflito.

1914-1918 – A HISTÓRIA DA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

DAVID STEVENSON – Novo Século

O historiador David Stevenson reexamina as causas, a evolução e as repercussões da guerra no contexto da época e faz uma análise das dinâmicas subjacentes. Traz respostas para as perguntas fundamentais sobre como essa terrível luta se desenrolou e mostra as consequênciais à época e atuais, inclusive para os países vitoriosos, que ainda hoje vivem à sombra do conflito.