QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?

QUEM VAI FAZER VOCÊ FELIZ?

“Ela achou meu cabelo engraçado
Proibida pra mim, no way
Disse que não podia ficar
Mas levou a sério o que eu falei”

> A música “Proibida pra mim”, de Charlie Brown Jr., fez sucesso no final dos anos 90 e foi um dos hits que levou a banda de rock nacional recémformada à fama. A canção tinha um complemento no título: “Grazon”, o apelido carinhoso com que Chorão, o vocalista do grupo, chamava sua esposa – na época, ainda namorada – Graziela Gonçalves.

“Ser musa inspiradora e eternizada em canções, com certeza, é algo muitoespecial. Inevitável escutar algumas músicas e não se emocionar até hoje. É como um álbum de recordações que, ao invés de fotos, é feito de notas musicais e poesia”, conta Graziela, autora da biografia Se não eu, quem vai fazer você feliz? (Paralela), em que compartilha sua história de amor com Alexandre Magno Abrão, o Chorão.

Foi essa a música que embalou a cerimônia de casamento dos dois, que aconteceu depois de 10 anos de relacionamento. Foram dois anos e meio de namoro em Santos e sete morando juntos em São Paulo – mudança que aconteceu quando o trabalho do Charlie Brown Jr. engrenou. Para a união, Chorão fez questão de pedir a mão de Graziela a seu pai. “Tivemos muitos momentos bons – até nas épocas ruins. Quando a gente ama alguém da maneira que nós nos amávamos é comum que haja alternâncias, dias bons e ruins. Mas até em situações difíceis conseguimos viver instantes especiais”, conta ela.

Nos 20 anos de relacionamento, construíram a vida juntos, já que sua união precede o sucesso da banda. “Houve alguns marcos, como a compra do primeiro carro, do primeiro apartamento – coisas que o Alexandre e a Graziela jovens achavam ser impossíveis.” Os dois sempre contribuíram para a vida profissional um do outro, sendo suporte nas lutas e conquistas. “Quando recebemos apoio, fica muito mais fácil alcançar objetivos. Com ele ao meu lado, consegui realizar o sonho de ter uma loja de roupas e desenvolver minha própria marca.”
Ao longo de suas histórias, o casal precisou ainda enfrentar dificuldades relacionadas a crises no Charlie Brown Jr. e ao vício do músico, que o levou à morte, em 2013. “Ele era um ser humano que, como muitos outros, tinha uma fragilidade e, por uma infelicidade, se deixou levar por ela.”

Da história dos dois, Graziela coleciona boas lembranças e aprendizados. “O principal foi aprender que o amor é construção; amor dá trabalho. É querer estar com o outro e saber que vai haver dias bons e dias ruins. O amor exige empenho, principalmente em relacionamentos
longos, nos quais passamos por tantas fases, momentos de desencontros e reencontros.” Ela conta ainda que foi através dele que aprendeu a ser romântica, contagiada pelo jeito carinhoso do músico. “Nossa rotina era cheia de pequenos gestos, como bilhetes que um deixava para o outro e pequenos rituais, apelidos só nossos; aquelas coisas que chamamos de ‘bobagem de casal’, mas que faziam com que o amor estivesse sempre vivo.”

 

 

O casal Graziela e Chorão em um dos momentos de cumplicidade.

 

 

 

“Acredito que quando escrevemos uma história que não é ficção – principalmente, que fala de si mesmo – o maior desafio é revisitar aqueles lugares que não foram agradáveis, os momentos mais difíceis.”
Graziela Gonçalves

O LIVRO
Foram necessários alguns anos após a morte de Chorão para que Graziela Gonçalves se sentisse pronta para contar a história dos dois. O livro Se não eu, quem vai fazer você feliz? traz relatos pessoais e emocionantes de diferentes fases do relacionamento: quando eles se conheceram, momentos de sucesso pessoal e profissional do casal, desafios com a banda e a luta conjunta contra o vício. “Acredito que quando escrevemos uma história que não é ficção – principalmente, que fala de si mesmo – o maior desafio é revisitar aqueles lugares que não foram agradáveis, os momentos mais difíceis.

Mas, ao mesmo tempo, esse desafio todo me ajudou a superar e olhar para os tempos complicados de maneira mais construtiva. Com certeza, eu sempre digo que o livro foi a minha melhor terapia”, conta a autora.