SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE

SENSIBILIDADE À FLOR DA PELE

Coragem não tem a ver com pular de paraquedas, falar em público ou enfrentar um adversário. Do latim coraticum: é a associação entre a palavra “cor”, que pode significar “coração”, e o sufixo -aticum, usado para indicar ação. Portanto, coragem é agir com o coração. Foi desenvolvendo essa ideia que Fred Elboni buscou responder à pergunta que assombra milhões de pessoas: como ser verdadeiro e vulnerável nesse mundo de perfeccionismo, de cobranças e de comparações constantes? Formado em Publicidade e Propaganda, Elboni é escritor, roteirista, palestrante e até hoje já vendeu mais de 300 mil exemplares. Para ele, experimentamos a verdadeira coragem quando revelamos o que está dentro de nós, expressando nossos sentimentos e desejos mais profundos. Em uma entrevista exclusiva à revista LER&CIA, Fred contou um pouco sobre o que é preciso para, efetivamente, agir com o coração. 

LER&CIA | Por que o sentimento de aceitação é tão imprescindível para as pessoas?

Fred Elboni | É humano querer sentir que fazemos parte do todo, que somos especiais e queridos, mesmo que para isso tenhamos que criar certas personas. Este é um movimento natural que nos instiga a continuar e a nos demonstrar capazes de fazermos ligações pelo que somos ou pelo que julgamos ser. Acontece que há uma grande diferença entre desejar sentir-se aceito por pessoas que nos importam, e querer agradar a todos sempre em busca de uma incessante aceitação.

LER&CIA | Por que as pessoas precisam se atentar em relação à sensibilidade?

Fred Elboni | A sensibilidade, inicialmente, pode parecer um fardo que carregamos ou uma fraqueza, mas, sem dúvidas, ela é uma aliada imprescindível para termos empatia, selecionarmos as pessoas com as quais vamos nos relacionar e, principalmente, para termos uma visão mais clara da necessidade de compaixão. Precisamos olhá-la com bons olhos e aceitarmos que sem ela não seríamos tão conscientes das necessidades do mundo.

 

LER&CIA | Apesar de dolorosa, a rejeição pode ser de alguma forma benéfica?

Fred Elboni | Claro que sim! A rejeição nos ensina sobre humildade, sobre empatia pela decisão do outro, mas, principalmente, sobre como nem todo “não” necessita ser sinônimo de rejeição. Aprender a receber um não sem deixá-lo atingir diretamente a autoestima é um lindo aprendizado.

LER&CIA | Quais são os principais perigos da necessidade de perfeição?

Fred Elboni | A cobrança compulsória de suprir as expectativas que dificilmente serão atingidas. Olhar para si e sentir que constantemente precisa suprir suas metas inatingíveis é desgastante demais. Infelizmente, a ideia de existir uma perfeição mata, pouco a pouco, a nossa autoestima e a nossa vontade de demonstrar vulnerabilidade como realmente somos.

LER&CIA | De forma resumida, como podemos definir a palavra “vulnerabilidade”?

Fred Elboni | A palavra “vulnerabilidade” vem do latim vulnus, que significa “ferida”. Assim como uma ferida causa uma ruptura na proteção da pele, a vulnerabilidade é expor aquilo que preferiríamos deixar encoberto: nosso ser mais íntimo. Em termos mais práticos, a vulnerabilidade costuma surgir naquelas situações em que nosso desejo leva a uma ação, mas sem garantia de sucesso.

LER&CIA | O que você destacaria sobre o excesso da sensibilidade?

Fred Elboni | Todos somos sensíveis em algum nível. Por outro lado, as pessoas que carregam consigo um alto nível de sensibilidade necessitam ler mais sobre o assunto para entender como ela age em nosso interior, como a hipersensibilidade tem ligações com a nossa intensidade, como ela nos faz absorver a energia dos lugares, como as emoções oscilam com mais frequência dentro de nós, como necessitamos de solidão com mais recorrência que os demais e assim por diante. Ela é uma habilidade e não um fardo, só precisamos entender seu funcionamento.