LIGIA GUERRA, ESCRITORA E PSICANALISTA

LIGIA GUERRA, ESCRITORA E PSICANALISTA

> Os desafios e dilemas da mulher – e de seus relacionamentos –, são os temas de estudo da psicanalista e escritora Ligia Guerra. Para ela, as mulheres vivem um momento de conquistas, empoderamento e de uma nova consciência, mas estão cansadas e emocionalmente exaustas. Isso prejudica a autoestima e os relacionamentos. Na obra Amor sustentável, lançada recentemente, a escritora discute os sucessos e os fracassos da relação conjugal.

LER&CIA | Seu último livro fala sobre relacionamentos e amor. Como driblar os problemas do dia a dia e fazer o relacionamento prosperar?

Ligia Guerra |Acredito que não “driblar” os problemas do cotidiano é um excelente começo! Os problemas existem e sempre existirão, mas não nos sentirmos desamparados para administrá-los é o que torna duas pessoas uma família. Nós podemos resolver várias situações complexas com interesse mútuo, mas com a indiferença tudo se agrava.

Quais os maiores erros de homens e mulheres que acabam com os relacionamentos?
Eu trabalho várias questões no meu livro Amor sustentável, desde o excesso ou a falta de intimidade, o analfabetismo emocional, as sombras da sexualidade, o ciúme patológico e tantos outros.

E quais atitudes podem levar a um amor sustável?
Não existem regras de ouro, existem “olhares de ouro”. São olhares atentos, acolhedores, compreensivos, interessados, empáticos, lascivos, afetivos e cúmplices. Parceiros que se enxergam de forma diferenciada e que não se tornam invisíveis ao seu próprio processo de crescimento e que também não tornam o parceiro invisível, independente do tempo que estejam compartilhando as suas intimidades.

Ficar sozinho ainda é um dos grandes medos de homens e mulheres? Por quê?
Sim. A solidão ainda é um fantasma aterrorizador. O problema é que muitos desejam viver um grande amor, mas quantos estão realmente dispostos a se dedicar ao parceiro de
forma real, comprometida e honesta? É a boa e velha história, “eu quero ter dinheiro, mas não quero economizar”. A grande maioria das pessoas só deseja ter o melhor de cada situação.

Para você, o que significa ser feliz no amor?
É sermos amados nos dias em que menos merecemos, nos dias em que estamos chatos, inseguros, vulneráveis. Acima de tudo, é termos a mesma capacidade de fazer isso pelo parceiro. Tem coisa melhor do que sermos valorizados por ser quem somos, em um mundo que nos cobra perfeição e produtividade o tempo todo?!

Você também já escreveu um livro sobre mulheres. Qual acha que são os maiores angústias das mulheres hoje em dia?
Estamos em uma época curiosa, de muitas conquistas, empoderamento e de uma nova consciência acerca dos nossos potenciais. Contudo, tenho percebido a mulher cansada, exausta emocionalmente!

A sensação que eu tenho é que embora estejamos conquistando mais partilha com os nossos pares (embora ainda falte muita consciência por parte dos homens em relação as suas responsabilidades familiares), a própria mulher ainda se cobra muito.

É como se soubéssemos o que desejamos do trabalho, dos pares, da família, dos amigos e de alguns projetos futuros, mas que ainda não conseguimos responder o que desejamos de nós mesmas. Na minha percepção falta para a mulher o tempo do “ fazer nada” e se sentir bem com isso, sem culpas e neuroses.

Como acha que suas obras conversam com os leitores e o ajudam a enfrentar os problemas do dia a dia?
Com humanidade, muita humanidade! A minha única intenção, se assim posso dizer, é ajudar as pessoas a se amarem. Parece loucura? Acredite, não é.

As pessoas mentem muito para si mesmas. Rejeitam- se. Sabotam-se. Repetem padrões de relacionamentos destrutivos porque sequer percebem que os problemas de uma vida
a dois, começam nelas mesmas.