LUIZ FELIPE PONDÉ FILÓSOFO E ESCRITOR

LUIZ FELIPE PONDÉ FILÓSOFO E ESCRITOR

Edição 79 da Revista LER & CIA

Ao ler os textos do filósofo Luiz Felipe Pondé ou ao assistir aos inúmeros vídeos que são disseminados nas redes sociais com suas ideias, você pode ter a impressão de que ele é um cético ou até mesmo pessimista. Essa percepção não está errada. Nas palavras do próprio autor, ceticismo e tragédia são sua casa e ele explica as razões disso em seu novo livro,
Contra um mundo melhor (Editora Contexto). O lançamento traz reflexões sobre o cotidiano em pequenos textos e frases curtas, em que Pondé destaca as tragédias e fracassos e seu potencial de humanizar homens e mulheres. Em entrevista exclusiva à LER&CIA, ele fala mais sobre o tema.

LER&CIA | Você se apresenta como um cético e contra um mundo melhor. Qual foi o caminho até essa maneira de pensar?

LUIZ FELIPE PONDÉ | Foi uma construção, fruto de leituras e experiência de vida. O caminho conceitual começou com Freud. Depois houve Nietzsche, céticos gregos e Pascal.

LER&CIA | Você diz ter medo de pessoas felizes e também afirma que, em sua opinião, a vida não tem nenhum sentido definido. Seria a busca pela felicidade e pelo sentido da vida o maior engano da humanidade?

LUIZ FELIPE PONDÉ | A busca pelo sentido e felicidade não é um engano. As fórmulas são. E uma sociedade pautada pela obsessão pela felicidade fica retardada como a nossa. As pessoas que mais se acham do “bem” são as piores. Nesse assunto, sigo a Bíblia Hebraica e autores como Kierkegaard.

LER&CIA | Se a felicidade não pode ser alcançada e o sentido da vida não pode ser encontrado, qual deveriam ser as motivações cotidianas do ser humano?

LUIZ FELIPE PONDÉ | Não acho que alguém possa dizer quais são as motivações que uma pessoa deve ter. Mas creio que buscar vínculos mais consistentes na vida e não querer salvar o mundo é um bom começo.

LER&CIA | Em seu novo livro, você traz textos curtos focados – segundo afirma – no homem contemporâneo, sempre com pressa e sem tempo. Seria a escassez de tempo um dos impeditivos para que o ser humano refletisse mais sobre sua própria existência?

LUIZ FELIPE PONDÉ | Com certeza. Falta-nos o que Hegel chamava de “paciência do conceito”. A vida é tão esmagadora que ao final do dia queremos apenas ver Netflix.

LER&CIA | Qual é seu principal objetivo com o Contra um mundo melhor?

LUIZ FELIPE PONDÉ | Dialogar filosoficamente com um público mais amplo sobre as mentiras dos bons.

LER&CIA | Em sua opinião, qual é a importância da “filosofia do cotidiano” para o homem moderno?

LUIZ FELIPE PONDÉ | A filosofia na sua origem é uma forma de se aprender a fazer perguntas fora da zona de conforto. Continua a ser isso principalmente quando aplicada ao cotidiano.

LER&CIA | As redes sociais ajudaram na disseminação do pensamento filosófico pela facilidade de transmissão de ideias e informações. Em sua opinião, há mais bônus ou ônus na vida virtual? Quais seriam?

LUIZ FELIPE PONDÉ | Em termos de acesso a informação, mais bônus. Em termos políticos, mais ônus.